segunda-feira, 6 de setembro de 2010
AGNOSIA
A agnosia (a-gnosis, perda de conhecimento) consiste na deterioração da capacidade para reconhecer ou identificar objectos apesar de manterem a função sensorial intacta. É a perda da capacidade de reconhecer objectos, pessoas, sons, formas. Uma pessoa com agnosia pode, por exemplo, ter acuidade visual normal e não ter capacidde de reconhecer objectos como uma caneta, pessoas familiares ou a sua própria imagem no espelho.
Está normalmente associada a danos cerebrais ou doenças neurológicas, particularmente a lesões do lobo temporal. Pode, no entanto, ser também resultado de uma vida estressante onde a saúde em si é deixada em segundo plano em relação às atividades do dia-a-dia.
A síntese das sensações de forma a constituir percepções conscientes dá-se nas zonas corticais do Sistema Nervoso Central. A anestesia, surdez ou cegueira podem resultar da lesão de um órgão sensorial periférico, do nervo aferente ou da zona cortical do SNC onde se projetam essas sensações determinando o desaparecimento delas.
Nos casos onde estão conservadas a integridade das vias nervosas aferentes e existem lesões corticais na vizinhança da área de projeção, nas chamadas áreas para-sensoriais, mantém-se a integridade das sensações elementares, porém, há alteração do ato perceptivo. Nesses casos, fala-se de Agnosia.
Assim sendo, Agnosia não é uma alteração exclusiva das sensações nem exclusiva da capacidade central de perceber objetos externos, mas uma alteração intermediária entre as sensações e a percepção. Em alguns casos, observa-se a perda da intensidade e da extensão das sensações, permanecendo inalteradas as sensações elementares, em outros há integridade e extensão, mas perda da capacidade de reconhecimento dos objetos.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
AGNOSIA Teaser Trailer España
Agnosia es una de las películas más esperadas de la próxima temporada. Se trata de thriller romántico ambientado en la Barcelona del s.XIX que cuenta con un guión de Antonio Trashorras ("El Espinazo del Diablo") y un casting encabezado por Eduardo Noriega, Bárbara Goenaga, Félix Gómez y Martina Gedeck. Producida por Telecinco Cinema ("El Laberinto del Fauno", "El Orfanato", "Ágora"), Roxbury y Madrugada, dirige el prometedor Eugenio Mira y se estrenará en España el próximo 8 de octubre de la mano de Aurum. El teaser se podrá ver en salas junto a "Crepúsculo: Eclipse" a partir del próximo 30 de junio.
sábado, 14 de agosto de 2010
sábado, 7 de agosto de 2010
Quando ninguém me vê...
Alejandro Sanz
a veces me elevo, doy mil volteretas
a veces me encierro
tras puertas abiertas
a veces te cuento
por que este silencio
y es que a veces soy tuyo
y a veces del viento.
a veces de un hilo
y a veces de un ciento
y hay veces, mi vida,
te juro que pienso:
¿por que es tan dificil
sentir como siento?
sentir ¡como siento! que sea difícil
a veces te miro y a veces te dejas
me prestas tus alas,
revisas tus huellas
a veces por todo
aunque nunca me falles
a veces soy tuyo
y a veces de nadie
a veces te juro
de veras que siento,
no darte la vida entera,
darte solo esos momentos
¿por que es tan dificil?...
vivir solo es eso...
vivir, solo es eso...
¿por que es tan dificil?
cuando nadie me ve
puedo ser o no ser
cuando nadie me ve
pongo el mundo del revés
cuando nadie me ve
no me limita la piel
cuando nadie me ve
puedo ser o no ser
cuando nadie me ve.
a veces me elevo, doy mil volteretas
me encierro en tus ojos
tras puertas abiertas
a veces te cuento
por que este silencio
y es que a veces soy tuyo
y a veces del viento
te escribo desde los centros
de mi propia existencia
donde nacen las ansias
la infinita esencia
hay cosas muy tuyas
que yo no comprendo
y hay cosas tan mias pero
es que yo no las veo
supongo que pienso que yo no las tengo
no entiendo mi vida
se encienden los versos
que a oscuras te puedo.
Lo siento no acierto
no enciendas las luces
que tengo desnudo
el alma y el cuerpo
cuando nadie me ve
puedo ser o no ser
cueando nadie me ve
me parezco a tu piel
cuando nadie me ve
yo pienso en ella también
cuando nadie me ve
puedo ser o no ser
cuando nadie me ve
puedo ser o no ser
cuando nadie me ve
no me limita la piel
cuando nadie me ve
puedo ser o no ser
cuando nadie me ve
no me limita la piel
puedo ser, puedo ser o no ser
cuando nadie me ve...
(Tradução para o português - veja em comentários)
domingo, 1 de agosto de 2010
WILSON BUENO é autor, entre inúmeros livros, do romance A copista de Kafka. Mora em Curitiba (PR).
fonte: O Jornal de Literatura do Brasil
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**Nota Café dos Professores: 1949 (+2010)
Escritor contemporâneo
O escritor foi o criador e editor, durante oito anos, do suplemento de ideias Nicolau, considerado o Melhor Jornal Cultural do Brasil pela Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA), em 1987. Ele também era cronista do jornal "O Estado do Paraná", da revista "Ideias" e colaborador do caderno cultural do jornal "O Estado de São Paulo".
***quer conhecer mais sobre Wilson Bueno acesse seu blog aqui http://www.blogdowilson.com.br/
A Boneca Vermelha (conto)
Dom Casmurro : Contos
A BONECA VERMELHA • Ricardo Silvestrin
Aquela foi a única boneca que sobreviveu desde a sua infância. Vestido vermelho, cabelos loiros, olhos azuis. Só faltava falar. Mas como sua mãe sempre dizia: não se pode ter tudo. Falava então com a boneca e pela boneca. Horas e horas no quarto, entre panelinhas e carrinhos de bebês. Tinha também um boneco de terno e gravata-borboleta. Era o namorado da boneca de vestido vermelho. Na adolescência, mudou o quarto. Pôsteres na parede, caixa de bijuterias, estante de livros. Mas em cima da cama, a boneca. Teve alguns namorados, mas não gostou mesmo de nenhum. Sempre faltava alguma coisa. Os que sabiam conversar não a atraíam. E os que a atraíam não sabiam conversar. Foi se acostumando a não se envolver muito com ninguém. Passou no vestibular. Medicina. Fez os quatro anos de faculdade com o maior interesse. Quando começou o estágio, conheceu um médico residente durante os plantões da madrugada. Ele a atraía muito. No princípio, não deu muita bola, pois já sabia que provavelmente não teriam muito que conversar. Mas ele insistiu na aproximação. Foram noites e noites de longos papos surpreendentes e divertidos. Logo virou namoro e em seguida casaram. Depois de dois anos, tiveram uma filha. Quando a menina fez quatro anos, ganhou da mãe a velha boneca de vestido vermelho, que estava guardada no armário. Com o passar dos dias, ela olhava para a filha com a boneca, olhava para a casa, para o marido, para o consultório e sentia um mal-estar. Era como se tudo estivesse errado. Tentou não pensar naquilo. Conseguiu até disfarçar por anos e anos. Ninguém percebia. Por fora ela era a mesma. Mas por dentro algo ruía. Quando a filha completou sete anos, veio o divórcio. O marido não entendia nada. O que faltava a ela? Não teve resposta. Se tivesse, tudo seria mais fácil até pra ela. Foi embora com a filha e a boneca. Foram dois anos de tristeza para os três. O ex-marido a procurou várias vezes. Conversaram durante horas e horas. Mas nada. A filha se dividia entre os dois. Durante a semana com a mãe, fim de semana com o pai. E ela trabalhava sem pensar de segunda a sexta e tentava dormir no fim de semana. Foi num dos tantos sábados em que perdeu o sono que ela foi pegar a boneca no quarto da filha. Lembrou de quando era pequena. De como adorava aquela boneca, das panelinhas, do carrinho de bebê. De repente, lembrou do namorado de terno e gravata borboleta. Chorou muito, não sabe dizer por quanto tempo. Dormiu já de manhã. Sonhou com a boneca falando. Era uma voz parecida com a de sua mãe. Tentava ouvir o que dizia, mas era difícil, longe. Em volta, o quarto bonito, recém-pintado, o carrinho do bebê, o boneco namorado. Até que a voz da sua mãe na boneca disse: não se pode ter tudo. Acordou assustada com a boneca nos braços. Quando a filha voltou no domingo de noite, sua mãe perguntou se poderia jogar a boneca fora, pois já estava toda velha e até cheirando mal. A menina, um pouco surpresa, disse que a sua mãe era a verdadeira dona. Podia então fazer o que quisesse. O caminhão do lixo levou no outro dia a boneca dentro de um saco azul. Algumas semanas depois, procurou o marido e perguntou se ele ainda gostaria de voltar para ela.
RICARDO SILVESTRIN é poeta, escritor, músico e editor. Autor de O menos vendido, Play, O videogame do rei, entre outros. Vive em Porto Alegre (RS).
A PALAVRA REPARTIDA
Abraão e a Encarnação do Verbo
Iniciar uma reflexão poética invocando clareza e humildade não é tarefa que hoje se possa dizer costumeira entre poetas, sobretudo no que se refere à humildade. Considerar, além disso, que a palavra seja sagrada, talvez chegue mesmo a provocar desconforto em alguns. Pois é a partir desta fé, e desta fidelidade, que Maria Carpi apresenta os fundamentos de sua arte poética em Abraão e a Encarnação do Verbo.
De origem italiana por parte de pai, Maria ainda guarda de sua infância em Guaporé as memórias de uma plantação de vinhedos e a imagem da mãe, com seu avental branco, preparando o pão. Quanto à paternidade de espírito, Maria se declara cristã-israelita, "essencialmente filha de Abraão e da Encarnação do Verbo". Têm-se aí os pilares da história e da obra de uma poeta que, ao entremear a escritura da vida com as Escrituras Sagradas, fez de sua visão de mundo uma "metáfora viva", o aprendizado do corpo e do sangue de Cristo desde o pão e o vinho da casa de infância.
Em seu livro, Maria Carpi evoca os autores que admira, como Martin Buber e Simone Weil, para juntar-se a eles na experiência de uma reflexão sobre o sagrado tão digna de interesse quanto se esperaria de uma contribuição no campo das reflexões científicas ou filosóficas. "E quem somos, por mais brilhante nossa capacidade de raciocinar, para arredar do mundo o espaço do mistério?", questiona a poeta, para quem "o invisível não é uma abstração, mas uma concreção". Deve-se a esta "ausência ardente" de Deus o princípio de toda criação humana. Com a queda do homem para a mortalidade, resta-lhe a virtude de ser fecundo, de continuar o "poema da criação" e dar fruto na palavra. A poesia cumpre aqui, tal como na vida, o caminho do regresso, de um crescente despertar da atenção, a capacidade de um sopro criador que "devolve o alento originário" e faz recordar ao homem sua morada.
Se na liturgia os divinos mistérios são celebrados por meio dos sacramentos, na poesia o Inominável se deixa vislumbrar através do véu do simbólico. Essa aproximação do ato poético e do ato litúrgico, vale lembrar, também era cara à poeta italiana Cristina Campo, que via em ambos a presença daquele "esplendor gratuito, delicado desperdício, mais necessário do que útil", um esplendor que remontaria ao gesto de Maria Madalena lançando o vaso de nardo sobre o corpo de Jesus. Afinada com essa gratuidade amorosa na raiz da poesia e da liturgia cristã, Maria Carpi reconhece que "toda criação é um ato que transborda", assim como "toda graça é sem causa provável".
Entrega sem limites
Esta percepção de uma realidade sagrada entre os homens, e não acima deles, de um dever imediato para com o próximo, e não para com um Deus transcendente, incomoda pelo que de laborioso exige, porque perturba a inércia, delata o egoísmo e responsabiliza a todos por aquele que sofre, aquele que está ao alcance dos olhos e das mãos, e que aparece como um intruso, ainda que seja um irmão. Pois na "prontidão somos poucos", diz Maria Carpi, somos poucos na disponibilidade da doação sem reservas, no "milagre do pão repartido". E a poesia, por este mesmo critério de um pão que se reparte, requer uma entrega sem subterfúgios nem limites, um abrir-se ao desconhecido de tal modo que se possa acolher o outro, ser o outro, e desta semelhança entranhada desponte "a rosa do convívio". Para esse encontro, Maria Carpi se prepara em silêncio. À maneira de uma semente, seu poema se vai desdobrando em oferta, até dizer: "extrema compaixão/ extenuada, corpo a corpo/ em sequidão, é de repente,/ de ponta a ponta, estar maduro" (do 34.º Canto de As sombras da vinha).
Mas o amor do poeta, assim como a vizinhança do outro, nem sempre é bem-vindo. Isto porque "somos também filhos da mesquinhez", e, sobretudo, porque "há um pudor inexplicável, doentio, em dizer a palavra interdita: eu te amo na obra que não é minha". Há aqueles que quando lêem não comparecem, nem compartilham. E ainda aqueles que escrevem não para retribuir, mas para renegar a vida. Abraão e a Encarnação do Verbo contempla também esse vazio, esse território infértil que coexiste com a literatura, a banalização do sagrado par a par com uma religião pessoal, os sete ais das bem-aventuranças. Nada falta, portanto, aos fundamentos de uma arte poética, com toda uma ética, uma estética e uma mundividência reconhecíveis no testemunho de uma vida. Doação, comunhão e apetência para o bem e para o belo atuam nesse livro duas vezes: como fé e como obra. Trata-se da palavra encarnada, do sagrado tornado visível na escada que sobra intacta, apontando para o céu, no meio dos jardins de uma casa demolida. Aos olhos da poeta, essa é a escada de Jacob.
Precioso, ao final do livro, o relevo dado às mulheres da Bíblia, desde Rute, Ester e Judite, até as irmãs de Lázaro, que já marcavam presença nos versos de Os cantares da semente: "Marta sustenta, Maria consente/ e aquele, irmão das duas, posto/ à prova, é sepultado, semente". Pois é assim que, em sua história de filha, mãe e avó, em seu trabalho de Defensora Pública e em sua rotina de ocupações domésticas não separadas do espírito, a poeta Maria Carpi convoca para sua vida as figuras emblemáticas de Marta e Maria, ação e contemplação jungidas pela fraternidade, para que um único dom se aprimore em seu mais alto grau de exercício: o dom de ver a dignidade nas coisas cotidianas tanto quanto na palavra que as designa. Entre as muitas razões para celebrar Abraão e a Encarnação do Verbo, por ora basta destacar a corajosa tarefa que a autora ali assume, de recuperar para a palavra esta dimensão sagrada, tantas vezes já depreciada ou esquecida, da qual provém uma poética dos sentidos, fonte da linguagem e da experiência criadora, sem dúvida, mas, antes disso, uma virtude simplesmente humana de se arriscar à vida e ao convívio.
TRECHO • Abraão e a encarnação do verbo